Presidente da Embrapa Redesenha as Finanças do Órgão para Manter a Soberania do Agro
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Depois de quase uma década de retração orçamentária, a Embrapa entrou em 2025 diante de um desafio central: garantir o custeio da pesquisa agropecuária em um ambiente fiscal restritivo, sem comprometer a capacidade científica que sustenta a competitividade do agronegócio brasileiro.
A resposta passa por um redesenho do modelo financeiro, pela recomposição do capital humano e por uma estratégia mais assertiva de inserção internacional. A doutora em computação aplicada Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, está à frente deste grande desafio.
“A ciência não funciona em ciclos curtos de financiamento. Pesquisa exige previsibilidade, continuidade e tempo”, afirma a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Aos 58 anos, Silvia é a primeira mulher a comandar a principal instituição de pesquisa agropecuária do país. Ela assumiu o cargo em maio de 2023, herdando uma estrutura pressionada financeiramente e com um quadro técnico envelhecido após anos de restrições a concursos públicos.
Desde 2014, os recursos destinados diretamente ao custeio e ao investimento em pesquisa caíram de cerca de R$ 800 milhões para um piso de R$ 160 milhões em 2022. A partir de 2023, a empresa iniciou uma recuperação gradual.
Em 2025, o orçamento dessa rubrica alcançou R$ 335 milhões. Para 2026, a Lei Orçamentária Anual prevê aproximadamente R$ 410 milhões, dentro de um orçamento total de R$ 4,84 bilhões, que inclui folha de pagamento, despesas de manutenção e encargos.
Ainda assim, o patamar segue distante das necessidades de uma instituição que opera 43 centros de pesquisa, conta 7,5 mil funcionários, entre os quais 2,1 mil são pesquisadores, está desenvolvendo cerca atua nos seis biomas brasileiros e responde por parte relevante dos ganhos de produtividade do agro nacional. A Embrapa ainda possui duas unidades operando em parceria nos Estados Unidos e na França.
É sob sua gestão que a empresa tenta reconstruir sua capacidade de investimento, modernizar a governança e criar mecanismos mais estáveis de financiamento para a ciência agrícola brasileira.
“Quando o orçamento cai, o risco não é apenas perder projetos. É comprometer capacidades científicas que levam décadas para serem construídas“, diz.
Para se ter uma ideia, foi justamente com a pesquisa da Embrapa que o PIB do agro pudesse corresponder, hoje, a cerca de 25% da economia nacional.
“Em 50 anos, aumentamos nossa área plantada em 140%, mas nossa produtividade cresceu 580% em grãos. Produzimos cinco vezes mais na mesma área“, destaca Silvia.
Parcerias, BNDES e novos arranjos financeiros
O eixo central da estratégia envolve a construção de modelos híbridos de financiamento. A Embrapa tem avançado em parcerias público-privadas e incorporado experiências de modernização da gestão estatal, especialmente por meio do diálogo com o BNDES, no âmbito do programa Inova, voltado à reestruturação e eficiência das estatais.
A lógica, ao contrário do que muitos pensam, é mais do que transparente, e busca preservar o financiamento público como base da soberania científica. Para a gestora, é necessário ampliar a participação privada em demandas de curto e médio prazo, reduzindo a pressão sobre o Tesouro (de onde vem os recursos públicos na instituição) e acelerando a transferência de tecnologia.
“O recurso público é indispensável para garantir imparcialidade e pesquisa de fronteira, que o mercado não financia”, afirma Massruhá.
“Mas ele não é suficiente. Precisamos dividir riscos e criar modelos mais modernos, sem abrir mão do controle público sobre ativos estratégicos.”
Hoje são cerca de 1.170 acordos de inovação aberta com entidades privadas e que, reforçam o caixa da pesquisa, com cerca de R$ 100 milhões adicionais, em média, por ano.
Na prática, isso se traduz na ampliação de projetos de codesenvolvimento tecnológico, licenciamento e prestação de serviços científicos avançados, sobretudo em áreas com maior maturidade tecnológica e interesse do setor produtivo.
Ainda estão na mesa, projetos como a criação de um próprio fundo da Embrapa e outro pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que pode chegar a R$ 100 milhões.
O nó jurídico e a captura de valor da inovação
Um dos movimentos mais relevantes desse redesenho foi a implantação, em 2024, do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). A estrutura resolveu um impasse histórico entre a Lei das Estatais e a Lei de Inovação, que impedia a Embrapa de reinvestir diretamente os royalties gerados por suas tecnologias.
Até então, esses recursos acabavam absorvidos pelo orçamento geral da União.
“Era um modelo que não incentivava a inovação dentro da própria empresa”, diz a presidente.
Com o novo arranjo, os royalties podem ser captados via fundações de apoio e reinjetados diretamente na pesquisa, criando um ciclo financeiro mais previsível e funcional.
Reforço do capital humano e renovação científica
Paralelamente à reorganização financeira, a Embrapa iniciou em 2025 um processo de recomposição de seu quadro de pessoal. A empresa está ampliando o número de funcionários e contratando cerca de mil novos profissionais, incluindo pesquisadores mais jovens, com formação em áreas como agricultura digital, biotecnologia, ciência de dados, inteligência artificial e sustentabilidade.
A chegada dessa nova geração é vista como estratégica para acelerar a renovação científica e incorporar competências alinhadas às transformações tecnológicas do agro. A expectativa é que a maior parte dessas contratações esteja plenamente integrada às equipes até o primeiro semestre de 2026.
Internamente, a avaliação é que não há financiamento que se sustente sem capital humano qualificado e atualizado.
Ciência aplicada, clima e valor econômico
O redesenho financeiro caminha em paralelo à redefinição das prioridades científicas. Bioeconomia, descarbonização e rastreabilidade concentram esforços por combinarem demanda global, impacto ambiental e potencial de geração de valor econômico.
Tecnologias como a Fixação Biológica de Nitrogênio, já adotada em dezenas de milhões de hectares, reduziram drasticamente a dependência brasileira de fertilizantes importados. Foi deste trabalho de pesquisa, que a pesquisadora da instituição Mariângela Hungria, foi a laureada com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize) de 2025, conhecido como o “Nobel da Agricultura” em 2025.
Na agenda climática, a Embrapa atua como base técnica para políticas públicas e instrumentos financeiros, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, hoje obrigatório para acesso ao crédito rural e ao seguro.
“Quando a ciência vira métrica confiável, o risco cai. E quando o risco cai, o crédito flui”, diz Massruhá.
Presença internacional e novas parcerias globais
Outro pilar da estratégia é o reforço da atuação internacional. A Embrapa mantém unidades e projetos de pesquisa no exterior, os chamados Labex, com presença nos Estados Unidos e na França, além de acordos de cooperação com organismos multilaterais e centros de pesquisa internacionais.
Nos últimos dois anos, a empresa revisou regras de expatriação e ampliou sua atuação fora do país, incluindo a abertura de um escritório em Adis Abeba, na Etiópia, para atender demandas da União Africana.
E tem grandes novidades a caminho, como novas parcerias em negociação na Ásia, na América Central e no Oriente Médio, regiões estratégicas para a difusão da agricultura tropical e para a cooperação científica em clima, segurança alimentar e bioeconomia.
Para a presidente, a internacionalização é uma extensão natural da ciência brasileira. “A agricultura tropical é um ativo estratégico do Brasil. Estar presente nos fóruns e projetos globais é parte da nossa responsabilidade científica e geopolítica”, afirma.
Ao combinar novos modelos financeiros, renovação do capital humano e inserção internacional mais ativa, a Embrapa tenta garantir que a ciência continue sendo um dos pilares silenciosos, mas decisivos, da competitividade do agronegócio brasileiro nas próximas décadas.
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